Mostra Me Tua Glória - Alisson & Neide lyrics



Uma prostituta chamada Brasil
Se esqueceu de tomar a pílula e a barriga cresceu
Um bebê não estava nos planos dessa
Pobre meretriz de dezessete anos

Um aborto era uma fortuna e ela sem dinheiro
Teve de tentar fazer um aborto caseiro
Tomou remédio, tomou cachaça, tomou purgante
Mas a gravidez era cada vez mais flagrante

Aquele filho era pior que uma lumbriga
E ela pediu prum mendigo esmurrar sua barriga
E a cada chute que levava o moleque revidava lá de dentro
Aprendeu a ser um feto violento

Um feto forte, escapou da morte
Não se sabe se foi muito azar ou muita sorte
Mas nove meses depois foi encontrado
Com fome e com frio, abandonado num terreno baldio

Pátria que me pariu!
Quem foi a pátria que me pariu?

A criança é a cara dos pais mas não tem pai nem mãe
Então qual é a cara da criança?
A cara do perdão ou da vingança?
Será a cara do desespero ou da esperança?

Num futuro melhor, um emprego, um lar
Sinal vermelho, não dá tempo pra sonhar
Vendendo bala, chiclete, "Num fecha o vidro que eu num sou pivete
Eu num vou virar ladrão, se você me der um leite, um pão"

"Um video-game e uma televisão
Uma chuteira e uma camisa do mengão
Pra eu jogar na seleção, que nem o Ronaldinho
Vou pra copa, vou pra Europa"

Coitadinho! Acorda, moleque!
Cê num tem futuro! Seu time não tem nada a perder
E o jogo é duro! Você num tem defesa, então ataca!
Pra não sair de maca! Chega de bancar o babaca!

"Eu num agüento mais dar murro em ponta de faca
E tudo o que eu tenho é uma faca na mão
Agora eu quero o queijo
Cadê? Tô cansado de apanhar, ta na hora de bater!"

Pátria que me pariu!
Quem foi a pátria que me pariu?

Mostra a tua cara moleque! Devia tá na escola
Mas tá cheirando cola, fumando um beck, vendendo brizola e crack
Nunca joga bola mas tá sempre no ataque
Pistola na mão, moleque sangue-bom

Ã^ melhor correr porque lá vem o camburão
Ã^ matar ou morrer! São quatro contra um
(Eu me rendo!!)

Bum! Clá-clá! Bum! Bum! Bum!
Boi, boi, boi da cara preta
Pega essa criança com um tiro de escopeta
Calibre doze, na cara do Brasil

Idade catorze, Estado civil morto
Demorou, mas a sua pátria mãe
Gentil conseguiu realizar o aborto
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